A literatura árabe ainda é um terreno obscuro no Ocidente. Nem autores premiados como Naguib Mahfouz são muito lidos desse lado do mundo. Talvez, a obra mais difundida ainda seja As Mil e Uma Noites. Elias Khoury é um dos autores libaneses mais conhecidos e elogiados da atualidade, e Porta do Sol, lançado no Brasil há pouco, é considerado por muitos sua obra-prima.
A relação direta entre o romance de Khoury e o clássico árabe pode ser um bom começo para o tornar mais conhecido no Ocidente. Nos Estados Unidos e na Europa, quando publicado há alguns anos, Porta do Sol arrancou diversos elogios e foi considerado pelo Le Monde Diplomatique o melhor livro daquele ano. A escritora norte-americana Lorraine Adams disse no The New York Times que “existem romances poderosos sobre palestinos escritos por palestinos, mas poucos jogam luz sobre os mitos, lendas e rumores sobre Israel e os árabes com tanto discernimento e compaixão. [Esse] é um romance muito rico e realista, uma verdadeira obra-prima”.
Traduzido por Safa A-C Jubran, o livro de Khoury é narrado por um médico que conversa com um amigo moribundo. Ele conta histórias, mitos, lendas e fatos reais, um seguido do outro – um final não é nada mais do que um começo. Assim, a narrativa segue a tradição de Xerazade que tece histórias para sobreviver. Khalil acredita que isso vai manter seu amigo vivo.
“Há três meses sinto-me incapaz de me emocionar”, conta-nos o narrador, “apenas este homem suspenso sobre seu leito me faz sentir a tremura das coisas. Há três meses está deitado sobre essa cama de hospital da Galiléia, onde trabalho como médico, ou onde faço de conta que sou médico. Sento-me ao seu lado e tento. Ele está morto ou vivo? Conto-lhe histórias ou escuto?”.
A colagem de histórias, que datam de 1948 até o presente, formam um painel vasto da relação entre Palestina e Israel. É aí que conhecemos os personagens interessantes e complexos, envolvendo paixões, medos, sucessos, vinganças e conquistas.
A discussão entre os dois homens no quarto de hospital não só revela sobre essa amizade peculiar, como também sobre as mulheres de suas vidas. Daí emergem momentos e histórias de amor, como a do moribundo Yunes e sua amada Nahilah, que por décadas se encontraram na caverna Bab al-Shams (o termo árabe para porta do sol) onde podiam ter um tempo para eles namorarem e discutirem sobre os filhos.
Enquanto no Ocidente o livro foi bem recebido, quando publicado em hebreu Porta do Sol causou polêmica. O jornalista e historiador israelense Tom Segev disse no jornal Ha’aretz que o romance vai além da licença poética de Khoury. Ele alega que “se não há uma verdade [para os incidentes], não é certo fazer uso ficcional deles. Khoury não é conhecido em Israel, e não há motivos para se acreditar nele”.
Ao incitar reações tão contundentes como a de Segev, o escritor libanês parece ter conseguido expor o radicalismo de alguns pensadores que negam as conseqüências de suas próprias ideologias. Por isso, além das qualidades literárias, Porta do Sol se torna uma leitura fundamental para os nossos tempos.
Nothing is perfect. A marriage that seems to be unshakable may be just hiding dark cracks beneath a beautifully polished surface. That is one of the things one can learn from James Salter’s classic novel “Light Years”. Originally published in 1975, the book has become a fine example about family dynamics and failed expectations.
Lóri e Ulisses se amam. Mas não estão prontos para ficar juntos. Cada um tem o seu tempo para processar um sentimento, uma relação, uma emoção. “Esperarei nem que sejam anos que você também tenha corpo-alma para amar”, diz ele. Essa eterna busca do outro é que move as páginas “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres”, de Clarice Lispector.
José Saramago’s “Blindness” is one of the most strange and most readable novel from his body of work. The action is always moving forward, there is only one narrator (”Balthazar and Blimunda” has a couple of them), and the narrative reads like a thriller in a crescendo until it reaches an ending that makes a lot of sense in the narrative.
Jay McInerney’s funny and smart debut “Bright Lights, Big City” was published about 25 years ago. The current Vintage Contemporary edition features in its cover a drawing of a men entering the Odeon and the Twin Towers in the background - as if we all needed to remember this was a book written much before the loss of the innocence.
American cinema and literature have glimpsed close at lives in the suburbs with mixed results – some good (“Little Children”, both movie and novel; Philip Roth’s “American Pastoral”, Raymond Carver’s and John Cheever’s stories, among others) and some not so (“American Beauty”). What most of the works focused on suburbia share is the sarcastic tone – rarely a tender look. It is not A. M. Homes’ crafted collection of short stories “The Safety of Objects” that will change it – and that come as a blessing.
neither the chance nor the energy to change their present – they are sort of depressed or, at least, bipolar who can’t move on, who is too deep in their nothingness to move over. Take Frank, the protagonist of “The Bullet Catcher”, for instance, his goings to the mall becomes his biggest pleasure, and when his neighbors enters a competition this is one of the most exciting things in his life.
